quinta-feira, 9 de junho de 2011

Intervenção Urbana

 Tintas fora do contexto. Ruas, praças, edifícios, lugares reinventados. Nosso mundo é constantemente transformado numa tela. É assim que a intervenção urbana se manifesta, uma linguagem artística que se faz dialogar com o publico diretamente. Manifestações em espaços públicos como desenhos de grafite pintados nas paredes, cartazes, performances ao ar livre, grandes objetos insinuadores colocados no meio da cidade, ou qualquer outra manifestação que tenha como objetivo atingir a percepção das pessoas. “A intervenção urbana interfere em seu cotidiano, muda a paisagem, nos fazendo refletir sobre aquele espaço.” analisa André Monteiro, professor formado em Artes pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC). O que pode ser considerado desde pequenos stickers até grandes instalações, é também um leito de discussões entre o dualismo da legitimidade da arte e o vandalismo. Embora tenha um caráter subversivo, a intervenção já é considerada uma manifestação artística e muitas vezes patrocinada pelo próprio governo. “Ela nos convida a olhar de um modo diferente, questionando o mundo e o meio em que vivemos, da mesma maneira que nos provoca, como se este mundo não é feito e manipulado por nós mesmo, assim como o próprio artista manipulou para criar esta intervenção? Por isso respondo que sim, intervenção é uma forma de arte, e uma das mais democráticas que existe.” diz Monteiro.
Mas qual seria a linha divisória entre o vandalismo e a arte nas ruas? Para Monteiro é uma linha tênue. Exemplos como o grupo que invadiu e pichou o andar vazio da 28ª Bienal de Artes de São Paulo em 2008, e um ano depois se iniciou um fogo cruzado entre os que tratavam os pichadores apenas como marginais e aqueles que os viam como artistas brilhantes. “Creio que quando se tenta alterar, intervir de forma compulsiva, sem a devida autorização o patrimônio privado e não público, pode ser considerado um ato de vandalismo, mas até isso pode ser contestado.” ressalta Monteiro.  Realmente é uma questão que gera discussões, principalmente quando o protagonista no caso é o pichador. O picho é feito tanto em lugares públicos quanto em invasões de patrimônios privados.
Para Monteiro a intervenção urbana já foi absorvida pela nossa cultura e por isso já viraram linguagens artísticas e perderam status de excluídas socialmente ou marginalizadas. Poucas intervenções ou manifestações urbanas podem ser consideradas fruto da segregação social. Os raros exemplos são os pichadores.
Quanto mais dinâmica se torna a vida na cidade, novas formas de intervenção urbana surgem. Das undergrounds às de grande repercussão. Os stickers, por exemplo, são adesivos criados por jovens sem muita pretensão, que escolhem esse meio para divulgar a sua arte – muitos são colados nas ruas – além disso, mostram que tem potencial para criar algo único e com sua personalidade.   

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