Imaginemos cada nova criança crescendo acomodadamente no mundo facilitado que hoje existe. Claro, mundo fácil para os jovens, para outros está cada vez mais complicado. Temos a informação hoje tão rápida quanto o tempo que uma calculadora leva para completar a sua soma. A tecnologia que a nossa comunicação atingiu é, com um abuso do termo, onipresente e dinâmica. Até duas décadas atrás o computador, o celular, e até os canais fechados da televisão não compartilhavam da nossa rotina. Salvo os viciados na televisão, estes sim já existiam. Mas, ainda assim, podiam-se destinar algumas horas para a leitura de um bom livro. Romance, acadêmico, ensaio, que fosse o gênero ou a intenção, a leitura era a argamassa durante o amadurecimento de muitos. Todos já sabem, hoje fazemos mil coisas ao mesmo tempo, de um tempo que nem é mais nosso. Descompassado.
E se num mundo assim alguém consegue a harmonia de seu tempo? Um rei na terra de cegos? A história mostra que quem tem o conhecimento, tem o poder. Desde os primeiros escribas, quando os tabletes de argila ainda eram numerosos, a sociedade é construída ao gosto de quem tem tal atributo intelectual. Ler é poder. Os séculos passaram, veio Alexandre, Napoleão, Hitler, entre outros. As cidades cresceram, foram dominadas, destruídas, reerguidas, conforme fosse a vontade, sucintamente falando, de quem lê.
Entremos num consenso, ou pelo menos me atrevo a definir parte dele, como alguém que tem uma licença pra falar por fazer parte do mesmo, mas o fato é que a ignorância permeia a massa de uma sociedade, assim se dá a separação entre o homem e o cão, de quem controla e quem é controlado. Algum economista já disse isso uma vez.
O hábito da leitura hoje deve ser encarado tão importante quanto antes. O mundo de agora é muito mais verbalizado, porém são palavras ao vento, sem filtro. Ler não é ver, é perceber. Quem lê nesse admirável mundo novo aguça seu sentido crítico, se impõe, compara e se posiciona. O mercado é seduzido por alguém que dialoga o tácito, para isso não basta apenas sua experiência de vida, mas um olhar sobre as experiências da outras vidas. Isto não conseguimos com a televisão, ou por uma célere vista pela internet, é necessário recebermos a informação e digeri-la. A boa leitura nos fornece a dose certa, e como um bom prato de comida, deve-se dar o tempo a digestão. Isso é o que faltará para a maioria dos jovens. Quem se valer do costume da leitura amadurecerá de forma crescente, se colocará em destaque em sua relação com os outros, tanto profissional, familiar, comunitária, política ou na roda de bebidas com os amigos ou amigas. Claro que podemos até chegar a ser lideres políticos sem termos tal costume, como vimos no nosso país nos últimos anos, mas como alguém que deseja ser músico e não nasceu com o talento, a forma de nos doutrinarmos já está consagrada. O ser humano é social, a leitura é um instrumento que nos fortalece.